sábado, 8 de dezembro de 2012

Item 5 - ASSUNTOS DIVERSOS – O MAR


O MAR, PLACENTA DA TERRA
Saravá Yemanjá Rainha do Mar Primordial
Por: Brasão de Freitas

Yemanjá
(imagem postada por: abassabara.blogspot.com)

SALVE 8 DE DEZEMBRO, SALVE YEMANJÁ
Na Umbanda, o Grande Mar é dedicado por unanimidade ao Orixá Yemanjá e a seu Par Vibratório Oxumarê, embora também no mar, mais precisamente no fundo do Mar, esteja Omulu e seu par vibratório Nanã. Simbolicamente, sempre que a natureza se manifesta numa mudança de tempo na região dos mares, a mudança é precedida pela refração do Luz (Fogo, o Arco Iris) que parece ligar o Mar ao Céu, como se fizesse uma ligação das águas da vida para aplacar a sede dos Orixás.
Porque o Mar representa Yemanjá? Porque ele representa a vida, tanto na Terra (Os Oceanos) como no Céu (O Hidrogênio). Sim, o Céu é um gigantesco mar sideral. Não é a toa que Yemanjá representa a Mãe geradora da vida. As águas do Mar estão cheias de vida, tanto microscópica como visível, numa cadeia de vida que conduz à formação dos seres e daí ao ser humano. O sal no batismo simboliza o “gosto” da vida, e no Mar é o primeiro sintoma da vida e de sua conservação, já que o sal é um dos maiores conservantes da vida celular do planeta. Os peixes são como os espermatozóides dançando sob as águas, os embriões, os germes, os micróbios e as potencialidades infinitas da água geratriz do nosso planeta. As ondas do Mar representam o fluxo e o refluxo da vida, o movimento perpétuo que dá provimento, gera e conserva a vida, e que exalta a dualidade da criação onde duas forças (Luz e Trevas) interagem para gerar a vida (A superfície do Mar é luz e o fundo do Mar é trevas). Por tudo isso e muito mais, Yemanjá é representada pela dualidade, o número dois, que caracteriza o fluxo e refluxo da vida.
Ritualisticamente, o Mar da Terra é a representação cósmica do Mar Primordial da Criação. Os dois Polos de energias opostas se movimentam para gerar a vida. As águas de Yemanjá (O Mar) ligadas ao Céu por Oxumarê (A Luz Refratada), configuram o símbolo da água e do fogo que se unem para gerarem a vida (Sozinho o polo feminino não gera a vida).
Assim, O Mar Primordial é a origem da vida, portanto, constituído pelo Caos Primordial e pela Luz Primordial. Assim como é no Céu, também é na Terra, portanto é do Mar da Terra que surge a vida no nosso planeta.
O Mar está para a Terra, assim como o Hidrogênio está para o Universo. O Hidrogênio constitui as “Águas de Cima” citadas na Bíblia; o Mar representa as “Águas de baixo”.
O Universo Astral foi criado a partir do Grande Mar Primordial (Iwa a Existência e Aba a Essência). Como o Universo Astral é constituído fundamentalmente de água ((95% de Hidrogênio), poderíamos dizer, sem medo de errar, que ele é na verdade o Grande Mar Ordenado, o Mar Macrocósmico. Como “os que estão em baixo são como os que estão acima”, o Grande Mar da Terra é um Micro Mar Primordial ou um Microcosmos que é igual ao Grande Mar Astral, que é o Macrocosmos.
Por isto o Mar na Terra que é um Microcosmos do Grande Mar Primordial da Criação, se reveste de importância vital na existência de vida no planeta Terra e em vários outros corpos celestes do Universo Astral.
Tomando pois como exemplo o Mar da nossa Terra vemos que ele se constitui das águas de cima, das águas do meio e das águas de baixo. As águas de cima recebem a luz e a refratam (Oxumarê/Yemanjá). As águas de baixo recebem as trevas (matéria prima indiferenciada) e se contraem formando um caos (Omulu/Nanã). As águas do meio são as águas ao mesmo tempo caóticas e de poder ígneo, e que contém o enxofre da vida, oriundo da lama espermática (Nanã), do fogo elemental (Omulu) das águas de baixo, e da luz refratada das águas de cima (Yemanjá, a Luz espiritual, a consciência e a inteligência penetrando as trevas). No mar está a genealogia do planeta Terra. Ele é o útero, e a água é o líquido aminótico, salgado, que guarda e gera a vida para o planeta, partindo da escuridão do fundo do mar onde está a lama espermática da natureza.
No grande Mar Primordial existe um ponto neutro entre o ser e o não ser, entre a superfície e a profundeza (As águas doces que vêm dos rios). É neste ponto neutro que surge a vida. É onde se separa ou se une o sutil e o fixo. É onde surge a protovida, oriunda da lama (Água e Terra) de Nanã e do fogo (Ar e Enxofre) de Omulu.
Das profundezas do mar surgem os germens que tudo criam e tudo transformam. Estes germens nascem a partir dos átomos que constituem todas as formas e toda a vida do nosso planeta (movimento, luz, som, força, energia, o ser e o vir-a-ser da existência).
O Hidrogênio e o Oxigênio ao se unirem deram a condição primordial para a manifestação da vidamo Universo Astral. O Oxigênio, que é tão importante e até mesmo fundamental para a vida, também possui a propriedade de envelhecer as coisas e, portanto, conduzí-las à morte, ao encurtar o tempo de vida destas coisas físicas.
Partindo do estado inflamável em direção ao oposto aquoso, “o Hidrogênio e o Oxigênio combinados se polarizam e formam uma substância (A água) que é o polo oposto de seu estado inflamável primitivo”.
Segundo as Ciências Físicas, a Luz do sol com seus raios infra vermelhos, ultra violetas e seu calor incidem sobre as água do mar e “o calor provocado pelo sol decompõe uma porção infinitamente pequena das águas durante todo o tempo que sobre elas incide; a partir daí os átomos destas molécula de água iniciam um movimento diferencial ascendente, que é o da espiral. Nesta ascensão, eles atraem os átomos de ácido carbônico mas, também são atraídos por eles, de onde se deriva um terceiro movimento que é uma rotação precipitada. Com isto surgem novas combinações, e delas forma-se então um germe de vida física. Sob o impulso de um átomo central de fogo, sendo as forças predominantes do oxigênio e do carbono, esta união produz outra mudança da polarização, fazendo com que esses átomos sejam atraídos em direção à terra. A água recebe-os, nutre-os e é desta maneira se forma a primeira céspede de vida orgânica. Quando estas primeiras formas de vida morrem, os átomos empreendem novamente uma marcha em espiral ascendente, sentem-se atraídos pelos átomos do ar e, pelo mesmo processo de polarização, chegam a formar os seres vivos cada vez mais perfeitos”. É esta mecânica celeste que dá ao mar o Poder Gerador e Regenerador da vida, justamente (Coincidência?) os predicados espirituais de Yemanjá.
A Ciência Física nos mostra como funciona a constituição da vida orgânico-atômica, e a Ciência Religiosa nos ensina como a Consciência e a Inteligência (O Eu) constituem a vida inteligente e luminosa do universo.
Sem o Mar, não existiria a vida orgânica ou a nossa vida no planeta Terra. Para nós, na Terra, o Mar é a origem de nossa vida biológica. É a placenta que dá início à futura união entre o corpo e o espírito da forma que conhecemos. Por isso Yemanjá é a Senhora da Vida. SARAVÁ MÃE YEMANJÁ. SARAVÁ A VIDA.

Eu fui à praia,
Pra fazer um pedido a Yemanjá, a Rainha do Mar,
E do meu peito saiu um lamento,
Sem alento, em vão:
Ó vento que sopra na beira da praia,
Leva o lamento pro Mar,
Para ver se me escuta Yemanjá,
E afasta de mim esta dor.
Então comecei a chorar,
E o meu coração a soluçar,
E o vento parou de soprar,
E eu ouvi uma voz murmurar:
Porque choras ó filho de fé,
Tuas lágrimas são de emoção,
E chegaram ao meu coração
E eu vim.
Lava teu rosto nas ondas do Mar,
Quem te lava é meu coração,
E nunca mais sentiras solidão,
Em vão.

Ó querida Yabá, neste dia tão vibrante lava nossos corações com a vida que tuas águas trazem do fundo do mar, onde mora Omulú e onde nasce toda a vida do nosso planeta. Lava nossas lágrimas de tristeza e regenera nossas vidas na alegria do bem viver que vem da “força” da Família. Amém.

OBSERVAÇÃO:
As fotos e figuras usadas neste blog foram copiadas da Web e dado o devido crédito a quem as postou ou ao autor da foto ou obra. Pedimos desculpas aos autores que não conseguimos identificar. Caso os autores desejem ser indicados, teremos a honra de citá-los neste blog, desde que nos comuniquem e comprovem (A comprovação se faz necessária para a devida proteção do verdadeiro autor). Desde já meus agradecimentos e Axé de Zambi para todos nós.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Item 1 - INICIAÇÃO NA CULTURA UMBANDISTA


INICIAÇÃO NA CULTURA UMBANDISTA
(Assistentes e Principiantes)
Iniciação 4º Tema

Em busca da Luz
(Joomla Template)

Quarto Tema: A EVOLUÇÃO

HISTÓRICO.
A Evolução é a base fundamental da Criação e da Existência da vida tanto espiritual como material.
O Grande Projeto de Deus na Criação, previa a existência de vida para os Espíritos (entenda-se como vida espiritual a capacidade do Espírito de Ser, de ter Consciência, de ter Percepção, de ter Inteligência, de ter e sentir Amor, de ter Sabedoria, de ter Vontade própria, de ter Livre Arbítrio, isto é, de tomar suas próprias decisões e de poder escolher), que eram a grande razão de Sua Vontade de Criar. Portanto, os Espíritos deveriam ter vida. Como vida significa movimento, Deus teve que criar o antagonismo ou a oposição para que houvesse o movimento já que o movimento é o resultado da oposição entre duas forças.
Para os Espíritos Puros, evoluir não é só aproximar-se de Deus, mas também afastar-se da Substância Etérica Indiferenciada. A esta caminhada em direção a Deus, dá-se o nome de evolução.
Da mesma forma acontece no Universo Astral. Os espíritos encarnados lutam para afastar-se do contato com a Substância Etérica já diferenciada (a matéria) e voltar para junto dos Espíritos Puros. Isto também se chama evolução.
A organização destas duas vias evolutivas chama-se Kármas Causal para os Espíritos Puros e Kárma Constituído para os Espíritos Encarnados.
Porque se chama “queda dos espíritos” o fato de alguns espíritos terem descido ao Universo Astral? É porque os espíritos foram caindo de hierarquia em hierarquia até misturar-se com a matéria caótica. O nosso tema vai tratar apenas da Evolução no Universo Astral.
Como todos os níveis hierárquicos possuem 7 Orixás diferentes, para subirmos cada nível teremos que vivenciar cada vibração total de cada Orixá. É por isto que existe a reencarnação. Porque nunca conseguimos vivenciar totalmente cada vibração em apenas uma encarnação.
Além disto, o Espírito Puro é formado por um Par Vibratório. A queda dos espíritos se deu porque houve uma separação entre os pares. É por isto que nas encarnações cada um de nós procura o seu par vibratório. Como o espírito não tem corpo, é difícil saber quem e onde está o seu par. De tentativa em tentativa, um dia nós encontraremos nosso par porque sem ele não temos força suficiente para escapar do domínio da matéria.
Assim temos:
Kárma Causal = Oposição (Caos atrai Espírito). Aproximar-se da Luz Eterna (Reação/Perfeição) afastando-se da Substância Etérica Indiferenciada (Caos).
Kárma Constituído = Queda (Procura re-volta). A existência interligada em 7 Reinos. A volta ao Mundo dos Espíritos Puros. A volta para a casa do Pai.
O Destino = O Livre Arbítrio. A escolha livre do caminho de volta para a casa do Pai.

INTERATIVIDADE.
1-Explique o que faz os Espíritos terem vida, se possível desenhe um símbolo.
2-O que você entende como Kárma Causal?
3-Represente simbolicamente o Kárma Causal.
4-Você pode dar um exemplo de como o Destino funciona?
NOTA IMPORTANTE
As respostas sobre as perguntas da interatividade serão dadas a quem nos perguntar.

COMPORTAMENTO
Se eu pretendo evoluir, então eu tenho que escolher um bom caminho para cumprir o meu Kárma. Para escolher bem um bom caminho é preciso estudar para aprender e praticar as Leis de Deus, que são as leis da Natureza, as Leis da Criação (da Existência Potencial das 3 Realidades e do Universo Astral) ou a Gênese Umbandista.
Todas as Religiões nos ensinam que devemos amar a Deus antes de tudo e respeitar Sua grande vontade que é evoluirmos como espírito em busca da perfeição. Para se atingir a perfeição, precisamos ser: Forte espiritualmente, Lutar pela Justiça sob qualquer aspecto, dividir seus conhecimentos com os outros e aprender e respeitar suas idéias para que as nossas também sejam respeitadas formando uma Comunidade ou Conselho, caminhando assim para uma Sabedoria profunda e coletiva que nos conduzirá a Sabedoria Perpétua, ser Puro de coração e de pensamentos, procurar Entender as pessoas e tudo que está a nossa volta porque todas são coisas de Deus e Respeitar ao próximo, a natureza, os animais as leis e a justiça dos homens e principalmente respeitar a si mesmo.

APRENDENDO A REZAR.
Existem as rezas tradicionais, ou seja, aquelas que vêm desde os nossos antepassados, carregadas de sabedoria e de sucesso no tempo. Entretanto, não é tão fácil como parece nos utilizarmos de orações já conhecidas e consagradas porque elas exigem que, antes de serem rezadas é preciso que as pessoas entendam o significado e o fundamento daquilo que está escrito na oração. Por isto, elas precisam ser rezadas pausadamente e pensando naquilo que está escrito e naquilo que queremos atingir. Exemplos. Pai Nosso, Ave Maria, Cequecê, Ago Babá Odu, Prece de Cáritas, Oração Noturna, Oração Matutina, Invocação aos Orixás, etc.

Invocação aos Orixás.
Meus Senhores da Coroa Divina, que ordenaram o Mundo em que vivemos por determinação Suprema de Olorun, nos abençoem nesta hora, neste momento e neste instante para que nossas vidas possam receber a Luz Divina que nos alimenta, nos dá força e coragem para vencer os obstáculos da vida e cumprir nosso Kárma para então voltarmos à casa do Pai Eterno.
Bendito seja Olorun, bendito seja o seu santo nome.
Que a glória de Deus (Olorun) se espalhe por todo o universo, trazendo paz, amor e sabedoria ao coração de todos os seres espiritualizados, e que a fraternidade se espalhe sobre tudo que foi criado.
Amem.

CANTAR TAMBÉM É UMA FORMA DE REZAR
Ponto de Oxossi.
Caboclo roxo da pele morena
Ele é cassunté, cassunté da Jurema.
Ele jurou e tornou a jurar,
Em ouvir os conselhos que a Jurema lhe dá.
Ele é Oxossi e mora na macaia,
Ele é Caboclo em qualquer lugar,
Ele não apanha as folhas da Jurema,
Sem ordem Suprema de Pai Oxalá.

OBSERVAÇÃO:
As fotos e figuras usadas neste blog foram copiadas da Web e dado o devido crédito a quem as postou ou ao autor da foto ou obra. Pedimos desculpas aos autores que não conseguimos identificar. Caso os autores desejem ser indicados, teremos a honra de citá-los neste blog, desde que nos comuniquem e comprovem (A comprovação se faz necessária para a devida proteção do verdadeiro autor). Desde já meus agradecimentos e Axé de Zambi para todos nós.
Brasão de Freitas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Item 5 - ASSUNTOS DIVERSOS - Yansan. - Rev. 1


YANSAN, A DANÇA DOS VENTOS
O XIRÊ DOS VENTOS
O RITUAL DO TEMPO ECOLÓGICO
Por: Brasão de Freitas
Yansan
(Nelson B. Faedrich)

SALVE 4 DE DEZEMBRO, SALVE YANSAN!
No Universo, Yansan é a manifestação do movimento cíclico, enquanto que Obá é a manifestação do movimento que dá ensejo à Existência. Yansan é o Orixá dos ventos, dos vendavais e tufões, dos furacões, das tempestades e brisas. Na Umbanda, a única relação que existe entre Oyá e Obá é o Tempo, já que não existe parentesco (do tipo Pai, Mãe, Filo ou Filha, etc) entre Espíritos Puros, considerando que os Espíritos Puros não encarnam. São, portanto, dois Espíritos Puros que formam Pares Vibratórios diferentes com outros Orixás (Oyá ou Yansan com Xangô; Obá com Ogun).
Como dizem os versos cantados por Rita Ribeiro, “Senhora dos ventos, Senhora da chuva, Senhora do mundo...tempo bom, tempo ruim...Indemurê, Indemurê mavanju, Indemurê mavanju, Indemurê bela Oyá...”
Yansan é o Tempo ecológico, que é cíclico, portanto, do meio ambiente, da vida encarnada e da passagem da vida após a encarnação.
Yansan é o Tempo da Natureza cíclica. Do Mundo onde vivemos encarnados.
O Tempo é algo muito complexo. Existe o Tempo Eternamente Eterno (O Tempo de Olorun), o Tempo co-Eterno (O Tempo da Criação, o Tempo de Orumilá Ifá), o Tempo Cíclico (Infinito. Tempo do Universo Astral, que é cósmico, isto é, muito além da Terra, e que é cronológico mas não com a cronologia da Terra, comandado por Obá) e o Tempo da manifestação, da Natureza, também conhecido como Tempo Cronológico.
Yansan é o Tempo da Natureza Cíclica, o Tempo Cronológico, o tempo da encarnação e espera, o nosso tempo. Já o Orixá Obá é o tempo da Essência Aba (essência manifestada) ligada à Iwá a Existência. Orumilá é o Tempo co-Eterno, ou Tempo de Iwa e Aba unidos, e Olorun é o Tempo Eternal ou Eternamente Eterno no qual Ele e somente Ele vive por toda a Eternidade Absolutamente Eterna.
Sabemos que este tema é de difícil entendimento, mas é preciso que seja entendido, para a facilidade da evolução. Por isso vamos relembrar seguindo a ordem crescente da existência na Terra até o Infinito ou Tempo de Orumilá, pois só assim podemos nos encontrar com o Tempo Eterno ou Tempo de Deus sem, entretanto, nele penetrar. Assim temos: 1- Tempo Ecológico, cronológico, cíclico, o tempo da vida e da morte, comandado por Yansan; 2- O Tempo da Essência de todas as coisas, e que dá propósito ao Axé, e que está conectado ao tempo do Espírito (como Luz) e do Caos (como Matéria Indiferenciada), conexão que acontece exatamente no Big Bang, sendo uma parte no Tempo Cíclico ou Astral e a outra no Tempo co-Eterno. Este é o Tempo de Obá; 3- Tempo co-Eterno ou tempo da Criação dos Espíritos (Luz), da Substância Etérica Indiferenciada (Caos), e do Espaço Vazio e Neutro, que é o Tempo de Orumilá (Tempo do Kárma Causal, Kárma Constituído e do Destino). Este Tempo co-Eterno vai do Big Bang ao Portal do Lócus de Deus (sem nele penetrar, mas fazendo no Portal de Olorun a conexão entre os dois Tempos); 4- Tempo Eterno ou Tempo de Deus, Tempo imensurável, impenetrável, Tempo do Lócus de Deus.
Existe uma força no universo em que vivemos que promove a alegria de viver, a coragem de viver, a competência para enfrentar o desconhecido, o invisível, a perturbação psicológica ocasionada por manifestações exteriores ou do outro mundo. É uma força que pode ser ao mesmo tempo leve e calma como a brisa ou devastadora e violenta como o vendaval. É como se fosse um Xirê (Dança) de Ventos.
Pelos movimentos e pelas transformações que promove no Universo, Yansan controla o Xirê da vida e da morte pois é considerada o único Orixá que não teme os Eguns, (Yansan domina-os com seu iruexim, que é o instrumento litúrgico por ela usado para controlar os Eguns). Yansan os conduz à presença de Xangô para a devida avaliação que determinará seu futuro no Mundo das encarnações, isto é, se fica ou se evolui para o Reino Virginal.
Sintetizada em relação aos seres humanso a ela é atribuído um temperamento que é misticamente apresentado como apaixonado, justo, dominador, arrebatador e corajoso. Quem nasce sobre estes influxos carrega ou manifesta este arquétipo com muito mais intensidade que os outros que nasceram sobre outros influxos.
Apesar de ser uma força feminina, é uma força que atua tanto no homem como na mulher (Complementação do Par Vibratório), pois o poder desta força está diretamente ligado ao sentido da agressividade (Conquista) do sentimento de bem viver.
Dizem que os movimentos de Yansan constituem um verdadeiro Ritual de Vida, uma espécie de dança onde Yansan é a felicidade de viver bem ou reviver através de reviravoltas completas, a imagem da mulher que é feliz, extrovertida, agressiva nas atitudes ao mesmo tempo em que é coquete nas reações.
Para a Corrente Popular da Umbanda, Yansan é a força que manipula as energias que alimentam a resistência para vencer as dificuldades da vida e incompreensão. Sua força branida aos ventos, assim como sua espada, arrasta e destrói as coisas superficiais da vida, os sentimentos francos e inconsequentes como o amor inconstante e inseguro, deixando à mostra os valores reais, felizes e alegres da vida.
É ao mesmo tempo o “Vendaval das Paixões” e a “Brisa do Amor Puro”.
Yansan é “Mavanju”, o Tempo cíclico.

Complete o pensamento ouvindo a gravação musical de Rita Ribeiro
Indemorê,
Indemorê mavanju,
Indemorê mavanju,
Indemorê bela Oyá.
Senhora das nuvens de chuva,
Senhora do mundo,
Dentro de mim.
Rainha dos raios, Rainha dos raios,
Rainha dos raios.
Tempo bom, tempo ruim...
Brasão de Freitas.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Item 4 - ORIXÁS: OXALÁ 2


ORIXÁS II
PERFIS DE OXALÁ 2
VISÃO DO GRUPO POPULAR

Oxalá
(Nelson Boeira Faedrich)


PERFIL GERAL DE OXALÁ - O GRANDE PAI
Para a Umbanda, Oxalá é o Pai que representa todos os filhos, por eles é respeitado, mas não responde pela ação de cada filho Orixá.
Oxalá, o Pai, é A grande paz. Para que ela exista, é preciso que exista e atue no universo a Justiça de Ogun seguindo as normas (Leis e Ordens) da Sabedoria de Xangô que aprendeu a verdade no Conselho dos mais velhos, pois este era Puro como Yorimá e Entendia com Alegria, o Respeito de Yemanjá para que houvesse Fortaleza, pois aos fortes é dado o direito da vitória e da Paz.
Oxalá é o Pai que fortalece seus filhos pelo poder do amor, do perdão e da bondade que invariavelmente levam à caridade e desta à evolução.
Assim, Oxalá é o caminho da evolução sobe o qual caminham todos os seres aprendendo a serem justos, puros, lutadores, sábios, respeitando o conselho para poder entende a verdade.
O Grande Pai não manda nas outras forças, mas é por Ele que elas existem.

PERFIL POPULAR
Para o Grupo Popular da Umbanda, Oxalá é a manifestação cósmica do céu, da terra, da luz, da paz e do amor. É o Senhor da brancura, somatório de todas as cores e o Pai de todos os outros Orixás.
Para os Umbandistas, Oxalá é a manifestação da Luz de Zambi (Deus) e o Senhor da Perfeição, da Sabedoria e Misericórdia Divinas. É a Luz que acalma os corações mais aflitos, que alivia os sofrimentos, dá coragem aos fracos, esperança aos que sofrem, alento aos esquecidos e os céus aos justos.
É o Orixá mais cultuado e respeitado, comandante das Sete Linhas que formam o panteão Umbandista. Oxalá é, na Umbanda, o arquétipo do ser que irradia a paz, nem brincalhão nem carrancudo, mas simplesmente severo. É o grande Pai que vive no coração de todos os seres, o caminho da redenção e a voz de Deus.
É visto sempre com um aspecto sereno e tranquilo, olhar penetrante e meigo como os de uma criança, mas que irradiam a pureza e a segurança de uma sabedoria transcendental.
É o espelho onde se miram todos os seres e a fonte que aplaca a sede de quem quer aprender ou evoluir. Associado ao amor puro, seu nome lembra e conclama os seres á prática do altruísmo e a caridade pura.
Junte a este perfil, as características gerais de Oxalá já mostradas anteriormente e terá uma projeção de comportamento dos filhos deste Orixá.

DADOS RITUALÍSTICOS
          Cor: Branco
          Número: 7
          Metal: Ouro
          Elemento: Poder Espiritual
          Domínio: A Criação
          Colares: Miçangas brancas ou cristal branco
          Apetrechos: Opaxorô, pomba branca
          Assentamento: Otá de cristais brancos
          Toque de Atabaque: Igexá e Arrebate de Congo
          Dia Consagrado: 6ª-Feira ou Domingo
          Saudação: Oxalá Babá!
          Veste Ritualística: Roupa Branca
          Flor Sagrada: Rosa Branca, Girassol.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Item 4 – ORIXÁS: OXALÁ I -Rev. 2




ORIXÁS II
PERFIL DE: OXALÁ 1
VISÃO DO CANDOMBLÉ (Síntese)


Orixalá
(umbandafilhosdaluz.spaceblog.com.br)

O ARQUÉTIPO DE OXALÁ VISTO PELO CANDOMBLÉ
Segundo o Candomblé (Como síntese Geral), Oxalá é um Orixá masculino de origem iorubá (nagô) bastante cultuado no Brasil, onde costuma ser considerado a divindade mais importante do panteão africano. Nos Cultos de Nação africanos é cultuado com o nome de Obatalá. Nos Candomblés brasileiros é mais conhecido como Orixalá (Orixá dos Orixás), que, numa versão mais popular assumiu a forma de Oxalá.
É considerado o deus responsável pela criação dos seres humanos e dele dependem todos os seres do céu e da terra. Ele é a brancura do indeterminado, o deus de todos os começos e de todas as realizações, representando o conhecimento empírico, pois traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado, colocando-se assim acima do conhecimento especializado que cada Orixá representa.
Para o Candomblé isto não significa poder, mas sim merecimento de respeito de seu poder criador.
No Candomblé, Oxalá apresenta aspectos masculinos e alguns aspectos femininos também, ora sendo considerado andrógino, ora sendo considerado que a figura mítica de Odudua aparece envolvida na função de ser a companheira de Obatalá. Isto caracteriza e explica a grande confusão que existe em diversos cultos afros sobre a androginia de Oxalá.
Na África ou no Brasil, ao Orixá Oxalá é atribuído o poder de criador de todos os homens, e, conseqüentemente, criador pai de todas os Orixás. É Oxalá quem determina de que matéria-prima básica será feita cada essência energética que animará um corpo humano, ou seja, qual será seu Orixá de cabeça. Ele representa o céu, princípio de tudo que, ao tocar o mar (Yemanjá), na representação simbólica de um ato sexual, teria criado todos os outros Orixás, para que cuidassem dos seres da terra, os homens, cercados pelo céu e pelo mar.
Ainda segundo o Candomblé (em síntese) existem diversas formas de Oxalá, mas apenas duas delas se tornaram mais conhecidas e populares, correspondendo a sua versão jovem e guerreira (Oxaguiã), ao passo que Oxalufã é a sua forma velha, a mais próxima do arquétipo paternal representado pelo Orixá, e que caminha curvado e apoiado no cetro chamado Opaxorô ou cetro do mistério, com o qual separou o mundo dos homens do mundo dos deuses.
Sua cor é o branco porque ela é a soma de todas as outras cores. Ao mesmo tempo, o branco é a cor do esperma, a participação masculina na geração de um ser.

DADOS RITUALISTICOS
          Metal: Ouro.
          Cores: Branco.
          Número sagrado - 7
          Guias: Miçangas brancas leitosas.
          Veste Ritualística: Brancas, braceletes, capacete, paxoró.
          Comidas: Acaçá de arroz com mel; ebó (acaçá) de milho branco, clara de ovo cozida, cuscuz de arroz e de tapioca, inhame, canjica.
          Animais de Sacrifício: Catassol (boi pequeno), bode, cabra, galinha e pombo brancos.
          Apetrechos e Armas: Paxoró, espada e pilão de prata, sol, cauríes de metal.
          Assentamento: Otá de pedra branca leitosa.
          Paó: Quatro batidas lentas em cruz, acima, abaixo, à direita, à esquerda, finalizando com três rápidas de reverência e adobalé.
          Toque de Atabaque: Igexá e Bravum.
          Saudação: Êpa Babá.
          Dia Consagrado: 6ª- Feira
          Sincretismo: Jesus Cristo
          Qualidade do Axé: Branco


OBSERVAÇÃO:
Esta matéria (Arquétipo de Oxalá visto pelo Candomblé – síntese) está sendo postada novamente para permitir a inserção da Figura representativa de Oxalá, atendendo à pedidos dos internautas. Estas figuras foram copiadas da Web e dado o devido crédito a quem as postou ou ao autor da foto ou obra. Pedimos desculpas aos autores que não conseguimos identificar. Caso os autores desejem ser indicados, teremos a honra de citá-los neste blog, desde que nos comuniquem e comprovem (A comprovação se faz necessária para a devida proteção do verdadeiro autor). Desde já meus agradecimentos e Axé de Zambi para todos nós.
Brasão de Freitas.

sábado, 24 de novembro de 2012

Item 3 - VIDA RELIGIOSA - 3


3 - VIDA RELIGIOSA (3 de 10)
VIDA RELIGIOSA Parte 3

RAIZES DE UM TEMPLO
BASE INICIAL RITUALÍSTICO-DISCIPLINAR
Assim como toda Organização Religiosa ou não, o Templo Popular tem sua base espiritual evolutiva apoiada na estrutura de Ritual e Disciplina do Grupo Popular da Umbanda, onde os fundamentos dos Rituais são ensinados e transmitidos em regime fechado de reclusão por meio de transmissão oral tradicional enquanto que os conhecimentos tradicionais a disciplina espiritual são explicados e ensinados através de cursos e palestras dos assuntos descritos nas Apostilas que compõem a Escritura Sagrada do Sabeísmo da Tradição dos nossos antepassados, que dão ensejo aos livros que contém as explicações filosóficas e práticas esclarecedoras que desvendam os mistérios quebrando os tabus, as clavículas e desvendando os dogmas e arcanos, permitindo desta forma o acesso ao conhecimento de todos aqueles, sacerdotes ou não, que queiram evoluir na busca de suas origens primordiais.
Para o Templo Popular, os assuntos contidos nos Livros Sagrados formam a Estrutura mínima necessária para o bom desempenho da atividade sacerdotal nos padrões de qualidade que o Templo deseja dar a todos aqueles que o procuram. O aprendizado desta Estrutura Religiosa é conhecido no Templo por Vida Religiosa na Umbanda.
Os Livros Sagrados são aqueles que constam dos arquivos do Templo e que são fruto da busca constante do desenvolvimento e evolução do Corpo Mediúnico do Templo.
Na filosofia do Templo Popular, os mistérios existem para serem desvendados, e é obrigação de todos buscarem as descobertas destes segredos. A frase “ainda não chegou a hora” foi substituída pela frase “quem sabe faz a hora e não espera acontecer”.

NASCIMENTO DE UM TEMPLO
O Templo é fundado por um Sacerdote ou Sacerdotisa numa determinada data que passa a funcionar como um calendário espiritual, onde o dia, mês e ano formam uma numerologia sagrada que influenciará a vida de todos os umbandistas que do Templo vierem a fazer parte, dando início ao grande projeto espiritual determinado pela Entidade Chefe, do fundador ou fundadora do Templo, que certamente se transformará mais tarde num verdadeiro celeiro de médiuns umbandistas de altíssima qualidade e ao mesmo tempo gerando sementes de novos Templos ampliando assim os horizontes do projeto inicial. Os conhecimentos adquiridos e vivenciados servirão de base e herança para seus filhos, amigos e frequentadores deste lócus de paz e progresso.
Bem-aventurados aqueles que abdicam de muitas coisas na vida material, para enfrentar a dureza da “briga” contra o desconhecido mundo das trevas em prol de uma chance para os perdidos e sofredores reencontrarem seus caminhos de volta.
Na vida, nada acontece por acaso. Tudo é pensado e criado no dia-a-dia do Universo. Nossos desatinos são criados por nós mesmos nas decisões diárias que tomamos ao escolher nossos caminhos. Ninguém escolhe os nossos caminhos por nós. Só nós é que escolhemos que caminho queremos seguir. Desta forma, os indissabores, desenganos, desatinos, dores, desilusões e retornos indesejáveis encontrados ao logo do caminho são frutos de nossa própria escolha.
Fundar um Templo é a mesma coisa que criar um Cosmos. É pegar um espaço profano, portanto caótico, e transformá-lo num campo sagrado onde se criam os Portais de ligação entre o profano e o sobrenatural sagrado. Na fundação, o Templo nasce. Ao nascer ele se torna uma encarnação no mundo material ordenado, pois ele se transforma em entidade e em Centro de Forças. Portanto o Templo é uma Entidade não como um Espírito mas sim como um Conjunto Organizado de Força e Poder onde se manifestam os Espíritos.
Os seres humanos encarnam e desencarnam para reencarnar de novo neste nosso Universo Astral. Em virtude da reencarnação, o ato de nascer assume papel de extrema importância na ritualística umbandista. Nascer pré-supõe uma morte anterior que deu condições para o renascimento. Morrer para renascer de novo é um ato de oportunidade de progresso e evolução. Cada nascimento pressupõe um estado evolutivo alcançado anteriormente com oportunidade de nova evolução na nova vivência encarnatória. Em resumo, nascer é duplamente importante. É importante pela oportunidade maravilhosa de viver e pela ainda mais maravilhosa oportunidade de alcançar a vida eterna existente no Grande Mar Primordial.
Todos nós possuímos duas faces opostas (o bem e o mal). Conhecê-las bem é o dever de todos nós. Sabemos, portanto, o quanto isto é difícil. Imaginem agora encontrar o ponto de equilíbrio entre estas duas forças com relação a um Templo que é um Cosmos de muitas pessoas. È preciso ter mente e corpo preparados para não se abater no primeiro desequilíbrio que acontecer entre as duas forças, pois milhares e milhares de outros desequilíbrios acontecerão ao longo da existência do Templo.
Ser sacerdote é ter merecimento para conhecer e aprender a usar a “mônada”, a “pedra filosofal”, a “onda modulada” que domina o Universo, pois estabelece o limite, a fronteira entre a Luz e as Trevas.
Nascer é ressurgir das profundezas do Grande Caos Primordial para o útero onde está a vida latente que existe no Grande Mar Primordial. Por isto, toda criação é bela. Criar é fazer existir, fazer existir é fazer nascer.
O dia em que o Templo nasceu, com ele nasceram as esperanças de tantos espíritos que nele embarcaram como se ele fosse um barco seguro preparado para navegar pelos mares desconhecidos e perigosos da vida, rumo à tranquilidade e serenidade do Mar Primordial, porque o seu comandante e criador era nada mais nada menos do que um guerreiro, como o Orixá Ogun, o grande defensor da Justiça e da Sabedoria dirigidas pelo Orixá Xangô, e da força protetora do Orixá Oxossi na luta pela sobrevivência dos fracos e oprimidos. E para garantir o renascimento emocional dos filhos que procurassem o Templo em busca de socorro, o fundador foi buscar a paciência e a pureza de intenções do Orixá Yorimá (Obaluaê), a alegria e o amor do Orixá Yori (Ibeji); e para navegar pelo Grande Mar Primordial do universo, foi buscar o poder gerador e regenerador da grande mãe do universo que é o Orixá Yemanjá, para só então entregar seu destino e o de seus seguidores às bênçãos do Orixá Oxalá. Para os espíritos de Liz que irão trabalhar no Templo, o fundador é respeitado como um ser espiritual encarnado forte e corajoso como uma guerreira inabalável, mas caridoso e amoroso como um pai ou uma mãe disposto a sacrificar sua própria vida pelo bem estar e pelo reencontro dos irmãos encarnados com o caminho da Casa do Pai. É assim que nasce um Templo. Graças à coragem, a fraternidade e o desejo de servir em nome de Deus.
Como dizem os Yorubás no Sétimo Sacramento da Umbanda e nos Versos Sagrados dos Esè Itan-Ifá: AIYÊ ATI IKU, OKAN NAA NI. (Vida e morte, ambas são iguais).
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