sábado, 28 de junho de 2014

Item (9) A Gênese Umbandista (Cont. item 1)

ITEM 9 – A GENESE UMBANDISTA – Capítulo V
A AÇÃO CRIADORA SEGUNDO OS CULTOS DE NAÇÃO
Por Brasão de Freitas


Deus, o Ser Supremo (Olorun)

A AÇÃO CRIADORA SEGUNDO OS CULTOS DE NAÇÃO (II)

Nos Cultos de Nação Africanos e sua vertente brasileira, o Candomblé, existe nos Contos Imemoriais, o rito da Criação segundo o credo Yorubá, que tem a seguinte descrição:
“O ar e as águas moveram-se conjuntamente e uma parte deles mesmos transformou-se em lama. Desta lama originou-se uma bolha ou montículo, a primeira matéria dotada de forma, um rochedo avermelhado e lamacento”.
“Olorum admirou esta forma e soprou sobre o montículo, insuflando-lhe seu hálito e lhe deu vida. Esta forma, a primeira dotada de existência individual, um rochedo de laterita, era Exu Yangui”.
Mas Exu Yangui era o terceiro criado, pois antes dele, segundo os Mitos da Criação, Orixalá e Odudua já haviam sido criados por Olorum. (Informações colhidas e o texto entre aspas acima de autoria de Juana E. dos Santos, foram tirados do livro Ifá – O Orixá do Destino, de Ivan H. Costa, Editora Ícone).
Como é voz corrente nos ritos e práticas da Lei de Umbanda que o Orixá Oxalá e Jesus são da mesma vibração espiritual e cujo sincretismo assinala que são a mesma Entidade Espiritual (Mesmo que, sabendo-se que o Orixá Oxalá membro da Coroa Divina jamais penetrou ou teve contato com a Substância Etérica, e que Jesus Cristo como Cristo Solar, é o senhor regente do Sistema Solar junto com sua Hierarquia Crística), a Umbanda vive dentro do cristianismo e, por isto, faz parte do maior grupo religioso do planeta, ou seja, os seguidores dos princípios e fundamentos contidos na Bíblia, que são: os Católicos Romanos, os Católicos Ortodoxos, os Protestantes ou Evangélicos, os Islamitas seguidores de Maomé que idealizou o Alcorão segundo os ensinamentos cristãos, os Kardecistas e até os Tupys que seguiam os princípios de Curuçá. Várias outras Religiões carregam alguns preceitos cristãos e, por isto, temos certeza de que a grande maioria dos habitantes do planeta segue preceitos cristãos.
Por este motivo, e por sermos fieis crentes Umbandistas, acreditamos que os trechos místicos citados acima, da Bíblia, da Umbanda e do Candomblé são suficientes para servir de base às explicações necessárias sobre a Gênese do Universo.
Provar a criação do Princípio Espiritual Uno é uma tarefa muito difícil para nós, seres humanos, já que este ato da Divindade Suprema só a Ela é dado o conhecimento e a razão. Portanto, isto só pode ser feito através das Religiões, ou com o auxílio dos fundamentos religiosos. Isto porque o Espírito é algo imaterial, invisível, sem forma, e até a própria imaginação sente dificuldade de expressar até mesmo através de símbolos. Entretanto, a evolução ou entendimento da Ciência Física, já permite vislumbrar, através da Matemática, da Química, da Física, da Medicina, etc., a “perspectiva” da existência de algo que, em nome do equilíbrio perfeito, da bipolaridade da energia, simplesmente “tende a existir”, tal qual a partícula do Quanta.
Conhecendo-se então através da Ciência Física a existência do Big Bang, da estrutura atômica do Universo, do quanta, dos neutrinos, dos quakers, dos muons, etc., e as crenças religiosas sobre a Criação, podemos então formular ou pelo menos tentar explicar aquilo que é inexplicável, como é a Gênese.
Porém, como a Gênese é Arcano Divino (a causa e a sua origem são do conhecimento apenas da Divindade), e nós somos herdeiros da Sabedoria da Divindade, então podemos pelo menos imaginar como aconteceu parte desta Criação e, por isto, como existimos já que, o porque da existência talvez jamais saibamos, pois isto depende da Vontade do Ser Supremo.
De tudo que lemos, ouvimos e aprendemos sobre a Gênese, fizemos uma análise que tentaremos mostrar a seguir, para que, talvez, alguém que também já tenha estudado e formado idéia sobre o assunto possa também formar sua versão e então juntos possamos aprender um pouco da sabedoria um do outro.
Iniciaremos o nosso resumo com o seguinte parágrafo do pensamento de Paracelso:
“Na origem primordial dos tempos, num dado momento da eternidade, o Ser Supremo e Absoluto por um ato se Sua Vontade Onipotente, decidiu criar o Princípio Espiritual Uno (Existência) ou a Coletividade das Divinas Potências, A Essência do Universo Espiritual e do Universo Astral. Neste Princípio Espiritual Uno existia um fogo e um caos nos quais estavam prefiguradas as formas de todo o universo. Eram uma matriz cósmica, espermática, e por outro lado um fogo gerador em que a ação recíproca entre matriz e fogo constituía uma mônada como sendo a pedra filosofal da vida que seria o meio e fim de todas as coisas”.
Acreditamos que a Vontade do Poder Absoluto manifestou-se subjetivamente, penetrando toda a Criação e dando vida a tudo, mas permanecendo em sua Essência Primordial, fora da Criação, mas exercendo Seu Poder e Sua Vontade sobre o Universo Total.


sábado, 21 de junho de 2014

Item 10 – OS ELEBARAS NA UMBANDA (Parte 11)

QUIMBANDA (EXU/POMBAGIRA)
(AXIRÔS/ELEBARAS)
Por: Brasão de Freitas
Parte 11 – O ARQUETIPO DE POMBA GIRA


ELEBARA VISTO PELO CANDOMBLÉ

Pombagira (axeoba.blogspot.com)

O ARQUÉTIPO DA POMBAGIRA NO CANDOMBLÉ
Nos rituais do Candomblé existe a característica feminina de Elebara que é a Pomba-Gira, Pombagira, ou Bombo Gira.
Como entidade se apresenta agressivamente sensual, usa cabelos soltos, saias rodadas, flores nos cabelos; sua dança é uma gira frenética e desenfreada, um pouco violenta, com quase nenhum controle, normalmente considerada sem compostura.
Uma das especialidades de Pomba-Gira dada no Candomblé é o campo amoroso, sentimental e sensual, tanto da mulher como do homem. Elas procuram despertar e avivar este sentimento com muita ênfase.
Como Imolê, ou Divindade, possui as mesmas características de Exu.
Mas nos rituais, As Pombagiras demonstram emanar muito poder material na área sentimental e nos cuidados com o corpo pois parecem idolatra-los, tal a maneira e cuidado que demonstram pelo corpo dos médiuns. Este fenômeno também é muito sentido e observado na Umbanda a tal ponto de atribuir às Pombagiras a guarda e proteção do corpo material, principalmente no que se refere à doenças.

LENDAS DE POMBAGIRA
LENDA DA POMBAGIRA MENINA DA PRAIA
Conta a lenda de Carranna (Pombagira Menina da Praia) que vivia numa ilha de pescadores no Oceano Pacífico, que os pescadores adoravam uma divindade do mar chamada Dagon. O poder de Dagon era tornar o mar furioso e tornar a pesca escaça, dificultando a vida da aldeia. Por esta razão, a cada sete anos, os pescadores amarravam uma menina virgem em duas pedras e a deixavam na beira do mar para que, quando a maré subisse ela fosse levada para Dagon.
Carranna, que vinha sendo preparada para ser Sacerdotisa da aldeia, aprendeu co sua avó os segredos dos Ondinos, revoltada com a situação das meninas sacrificadas usou estes conhecimentos para atrair Dagon. Dagon surgiu em forma de anjo e perguntou porque tinha sido chamado com tanta ousadia. Carranna respondeu que é porque estava cansada dos sacrifícios dos pescadores e queria saber porque Dagon exigia o sacrifício. Dagon respondeu que era por causa de sua procura or uma sacerdotisa que deveria ser sua Rainha. Carrana então respondeu que estava disposta a ser a eterna rainha de Dagon se ele libertasse seu povo daquela obrigação. Dagon vendo que a menina não tinha medo, propôs atender o pedido dela mas que ela teria que ficar para sempre presa entre a parai e o mar, e seu povo levaria como oferenda, frutas, perfumes e essências a todos os seres do mar. Carranna concordou o e trato foi selado.
Desde então, Carranna ficou sendo a protetora dos pescadores e das meninas, que vagam na beira da praia, por isso quando você for à praia e ver meninas brincando e passando na beira do mar, você irá ver o espírito de Carranna que ali está. è por isso que toda oferenda que são entregues na beira do mar após serem tragadas pelas ondas retornam à beira da praia para Carranna.
(Lenda apresentada pelo Ilê de Iemanjá.) (doia.no.comunidades.net)

LENDA DA POMBAGIRA SETE SAIAS.
Sete Saias teve sua vinda ao mundo cercada de muito sofrimento. Já na sua infância se dá o inicio de sua aflição, pois ao nascer sua mãe falece por complicações no parto. Desde então, sofre constantes humilhações vindas de seu pai que passa a culpá-la pela morte da esposa que tanto amava. Sete Saias cresce e com o passar dos anos crescem os aviltamentos e já moça passa a ser forçada a fazer todas as vontades do pai, sendo mais uma serviçal do que uma filha.
Por morar num lugar ermo, não tinha perspectivas futuras de vida e acabou por se envolver com ricos fazendeiros causando assim a fúria das esposas que queriam apedrejá-la.
Segundo a lenda, o nome Sete Saias vinha por conta de 7 amantes. em função de usar sete saias diferentes sendo uma para cada amante. Os amantes acabaram por trancá-la num casebre abandonado, sem alimentos o que fez com que ela se alimentasse de restos de vegetais que encontrava naquela prisão. Mesmo fraca, conseguiu derrubar uma parede velha de madeira e por La fugiu arrastando-se até uma estrada onde, vista por ciganos, foi acolhida. Tornou-se uma bela moça e acabou casando com o filho do chefe do clã dos ciganos. O marido ficou rico e recebeu o título de Barão. A esposa, tornada baronesa pelo casamento, rica e poderosa resolveu vingar-se de quem havia tentado destruí-la. O marido, apaixonado resolveu atender o pedido da esposa e comprou uma bela e enorme mansão no povoado onde ela havia morado. Para a inauguração, foram distribuídos convites a todos os ricaços que a haviam condenado e prendido no barracão, para morrer de fome. Tratava-se de um baile de máscaras. Em dado momento, Sete Saias desce as escadas com um vestido maravilhoso e de máscara de tal forma que ninguém sabia de quem se tratava. Mandou trazer pelos empregados vários barris de óleo e espalhou-os pela casa. Então ela reuniu a todos no meio do salão e retirou a mascara ao mesmo tempo que lembrava a todos quem era. Formou-se uma grande discussão entre todos que a condenavam e ofendiam, inclusive seu pai numa tremenda confusão. Sem que os convidados percebessem ele e o marido saíram sem ser vistos e em seguida ela ateou fogo na casa que ardeu rapidamente facilitada pelo óleo que havia sido derramado por toda parte pelos empregados. A casa queimou assim como todos que estavam dentro. Já na carruagem com o marido, parou diante da casa em chamas e disse: “livrei vocês de seus pecados com o fogo”. Em seguida foi embora e nunca mais foi vista. Diz a lenda que morreu aos 78 anos.
(Lenda apresentada pelo Ilê de Iemanjá).

DADOS RITUALISTICOS
          Filiação: Não considerada
          Cores: vermelho e preto
          Saudação: Pomba-Gira Exu!
          Comida: as mesmas de Exu
          Sacrifício: Galinha vermelha, cabra
          Guias: miçangas vermelhas
          Apetrechos e Armas: Faca, punhais
          Toque de Atabaque: Bravum
          Dia da Semana: 2ª Feira
          Flores: Rosas vermelhas (ou flores diversas vermelhas além de Dama da Noite)
          Perfumes (Essência): Dama da Noite, Essência de Rosas (Leite de Rosas)

ERVAS
As mesmas de Exu mais Guiné, Espada de Ogun, Mamona, Arruda, Bananeira, Vassourinha-Preta, além da preferida Dama da noite (Folhas e flor).

Como diz o OGBE MEJI: “Orunmilá diz que as coisas devem ser feitas pouco a pouco: Eu digo; é pedaço por pedaço que se come a cabeça do preá; é pedaço por pedaço que se come a cabeça do peixe.”


sábado, 14 de junho de 2014

Item 4 - CULTURA UMBANDISTA

ORIXÁS II: YANSAN visão do Candomblé
PERFÍS DOS ORIXÁS: YANSAN 1
VISÃO DO CANDOMBLÉ (Síntese)


Yansan

(tendadeumbandaluzecaridade.blogspot.com)

ARQUÉTIPO VISTA PELO CANDOMBLÉ
Para o Candomblé, Yansan é a manifestação do movimento. É o Orixá dos ventos, vendavais e tufões, furacões e tempestades.
É um Orixá feminino, figura das mais populares entre os mitos do Candomblé no Brasil e na África. Lá, na África, é cultuada sob o nome de Oyá, a deusa do Rio Niger, e é considerada o único Orixá que não teme os Eguns, dominando-os com seu iruexim, que é o seu instrumento litúrgico durante as festas, e que consta de uma chibata feita de pelo de rabo de cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.
Seu temperamento é misticamente apresentado como apaixonado, dominador, arrebatado e corajoso. No Candomblé existem 7 manifestações de Yansã : a própria Yansã, Iya Mesan, Onirá, Petu, Odo Oyá, PoPo e Balê.
Alguns Candomblés atribuem a Yansan um caráter voluntarioso, agressivo e as vezes mesquinho principalmente no que se refere ao amor, onde ela se mostra sempre arrebatadora, ciumenta e agressiva com as rivais. Apresenta-se sempre com ar coquete como que se julgando superior aos outros. Suas lendas bem retratam este caráter inquieto e agressivo.

DADOS RITUALÍSTICOS
          Filiação: Oxalá e Yemanjá
          Cor: Marrom avermelhado ou rosa coral
          Número: 11
          Elemento: Fogo
          Metal: Cobre
          Domínio: Ventos e tempestades.
          Comida: Acarajé, Inhame, beterraba, mel de abelha, milho cozido, cebolinha branca, azeite de dendê, amalá de quiabos.
          Sacrifício: Cabra (que não seja preta), galinha vermelha
          Colares: De missangas coral, ou contas de coral puro.
          Apetrechos: Adaga de cobre e latão, leque, iruexim.
          Assentamento: Otá de pedra vermelha ou coral.
          Dia consagrado: 4ª Feira
          Saudação: Epahei!
          Toque: Alujá e barravento
          Qualidade do axé: Preto.

OBSERVAÇÃO:
As fotos e figuras usadas neste blog foram copiadas da Web e dado o devido crédito a quem as postou ou ao autor da foto ou obra. Pedimos desculpas aos autores que não conseguimos identificar. Caso os autores desejem ser indicados, teremos a honra de citá-los neste blog, desde que nos comuniquem e comprovem (A comprovação se faz necessária para a devida proteção do verdadeiro autor). Desde já meus agradecimentos e Axé de Zambi para todos nós.

sábado, 7 de junho de 2014

Item 7 – OS RITUAIS NA UMBANDA – 13 – 21 Anos

RITUAL E CAMARINHAS
Por: Brasão de Freitas

RITUAL DE FEITURA DE SANTO – 21 ANOS - MESTRADO

(Genitores Divinos)
Conexão corpo, mente Espírito
(Poesia e Sensibilidade)

O Mestrado
Aos 21 anos de sacerdócio, o médium umbandista após desenvolver tantos conhecimentos sobre a Magia da Vida, descobre que a Sabedoria Universal, que ele tem buscado incessantemente nestes 21 anos, corresponde à soma das Sabedorias de todos os seres inteligentes do Universo. O Sábio é aquele que possui a sua sabedoria própria e vai aprendendo a sabedoria dos demais seres a sua volta, além da Sabedoria Ancestral que jamais poderá ser esquecida.
As Ciências, Exatas e Ocultas, juntas, constituem aquilo que conhecemos como Sabedoria Cósmica.
De posse do conhecimento de que o homem pode realizar o que acredita na medida do que sabe e em razão do que ignora; e faz tudo que quer na medida do que crê e na razão do que sabe, o médium sacerdote descobre que a Sabedoria Cósmica e a Sabedoria Universal juntas constituem todas as Ciências que conhecemos e que elas estão interligadas entre si, e cada uma representa uma parcela do conhecimento do Poder Cósmico. Analisando cada uma, vemos que todas possuem uma única direção ou objetivo: ordenar a vida do ser humano ou Espírito Encarnado e de todos os seres e coisas do Universo.
Este objetivo é que as une e faz com que possamos aprender sobre a maravilhosa Criação, a Natureza e sua existência harmoniosa e ordeira, espelho para o aperfeiçoamento dos sentidos, dos instintos, da percepção e inteligência do ser humano.
Desta forma, como nos ensina M. Ghandi, “O homem é a síntese da natureza; a natureza é a síntese do universo, e o universo é a síntese do pensamento Divino, e que, no mundo em que vivemos tudo é possível, mas, felizmente nem tudo é possível a todos”.
A analogia dos contrários não é apenas a oposição de forças antagônicas criadas aleatoriamente no universo de todas as esferas. Ela é a razão da Existência e geradora da vida no Universo. Ela representa a Sabedoria Suprema.
O Fundamento Místico desta camarinha e deste ritual é a valorização da Sabedoria Sacerdotal, pois a partir deste ato sacramental, o médium sacerdote se transforma no Pai Sacerdotal responsável pelo equilíbrio da vida espiritual (Aprendizado) dos filhos de fé dentro do Templo. Ele se torna o Sábio que todos procuram para aprender sua Sabedoria e a Justiça que ela representa dentro da Lei e Ordem do Templo e da Religião. Sua imagem refletida lembra a do Arcanjo Mikael dos cristãos. Seu exemplo de vida sacerdotal é o espelho do que é uma Encarnação Missionária de alguém que carrega a vontade e a necessidade de ajudar o próximo que estão acima de qualquer vaidade ou interesse em projeção pessoal, riqueza ou bem material oriundo da prática religiosa ritualisticamente sagrada. Por natureza encarnatória estão sempre em posição de comando vibratório de forma absolutamente natural. Os espíritos encarnados nestas condições são possuidores de muitos conhecimentos magísticos aprendidos nos processos iniciáticos fechados ou mesmo recebidos de Entidades de altíssima Luz em diversos momentos de suas vidas.
Em resumo, aos 21 anos de Santo o médium recebe o Erô Oxô, que significa “Os Segredos do Poder”, profanamente chamado de Eroxô, e também recebe o Owô Awô, que significa a “Mão do Sagrado”, não apenas referindo-se ao processo de Adivinhação mas também ao Poder de por a mão na cabeça de alguém como pai, dirigir um Templo e preparar seus “assentamentos de defesa” e abris os “Portais para o Céu”.

O Ritual (Síntese)
A Cerimônia básica desta Camarinha consiste em: Preparação que envolve desde o assentamento do Templo, a limpeza material e espiritual do Templo, escolha de sambas e demais ajudantes, organização e conferência de todos os materiais ritualísticos, chegada e apresentação dos Iaôs, integração do barco: Abertura, início com harmonização com a Banda da Esquerda (Gira e oferendas); a Realização Cerimonial, que constitui a desvirada de Banda, assepsia, renascimento e Eledá, palestras; as rezas e pontos sonoros, preparação dos materiais das oferendas, cânticos e xirês; submissão, Levantamentos dos Guias e Orixás, entrega das oferendas; Confirmação da Camarinha pelo Guia Chefe do Templo; Encerramento, Muzenza.

Doar-se, uma prova de amor incondicional em todas as Camarinhas. Esta é uma parte que se repete em todas as Camarinhas mas pouco é vista e poço reconhecida. Por isso a estamos ressaltando como parte integrante do Ritual. Mas, dentro dos fundamentos da Umbanda, no capítulo amor fraterno, onde está a diferença entre Sambas, Cambonos, auxiliares e Iaôs?

Significado dos materiais usados: Os materiais usados neste ritual são iguais aos demais materiais usados nos rituais anteriores e já descritos. A grande diferença está no Ritual já que o mesmo se processa de forma ordenada crescentemente, partindo da energia densa, material, e crescendo até atingir a mais sutil das energias, Neste processo ritualístico o médium faz a conexão e a transformação dos materiais numa verdadeira alquimia transcendental atingindo conhecimentos que muitas vezes ele achava que já sabia e no entanto descobre agora que ele apenas os usava dogmaticamente sem conhecer seus verdadeiros e profundos conhecimentos guardados com muito zelo e cuidado para não cair em mãos erradas. Muitas vezes é muito mais seguro deixar-se que um médium execute algum ato magístico de forma ritualisticamente dogmática, porque o ritual conduzirá o ato magístico ao lugar correto, mas preservar o fundamento espiritual para o momento em que o médium esteja em condições morais e espirituais de aprendê-los, sem riscos da descambada para o mal. O único material que podemos falar é do colar  pois é o único objeto que diferencia o grau do médium distinguindo-o assim dos demais porém indicando também o seu compromisso maior e sua obrigação de ser mais tolerante.


sábado, 31 de maio de 2014

Item (9) A Gênese Umbandista (Cont. item 1)

ITEM 9 – A GENESE UMBANDISTA – Capítulo IV
A AÇÃO CRIADORA SEGUNDO O GRUPO POPULAR (I)

Por Brasão de Freitas

Deus Criando a Vida

A AÇÃO CRIADORA SEGUNDO O GRUPO POPULAR (I)
Atuando em meio ao Grupo Popular, recebemos mediunicamente de uma Entidade Espiritual de Altíssima Luz, uma descrição metafísica da Gênese na visão dos Espíritos, e que foi levada ao conhecimento do Grupo Popular da Umbanda com a seguinte descrição:
Segundo os Livros Sagrados existentes e as Entidades Espirituais que nos ensinam, antes que Tudo existisse, portanto anterior a todas as coisas, existia apenas a Divindade Suprema, Senhor Absoluto de todas as coisas e o Único conhecedor de Tudo, idealizador e autor Único da Existência (esclarecimentos do autor).

“A Eternidade (a Divindade) dormia o seu sono latente repousando sobre o Nada, que era Tudo, porque Tudo e Nada (Princípio Espiritual Uno) coexistiam na Eternidade (Natureza Vibratória de Deus), sem distinção, e formando uma Única, Eterna e Incriada Potência”.
“A Força não atuava, o Movimento estava parado e o Tempo não era. Mas a Potência (Deus) existia e o equilíbrio era perfeito”.
“Enquanto assim em latência a Eternidade dormia, eis que a Razão (ou a Vontade) desperta o Tempo, o Movimento sai da inércia, e a Força (o Poder) se manifesta. A Eternidade assume o Tempo e a Potência manifesta a Luz (espiritual). O Ser Absoluto acabava de abrir os olhos, e sua Luz (Natureza Vibratória) penetra o Nada (Princípio Uno Passivo) comparando-o com o Tudo (Princípio Uno Ativo), e todas as coisas eram frutos de Sua Vontade”.
“O Ser Eterno e Incriado, a Divindade Suprema acabava de criar a Potência Luminosa (as Divinas Potências). Então, começou a Criação”.
“Separados pela Luz, de um lado ficou o Nada e do outro ficou o Tudo”.
“A Potência manifestada pela Vontade de Sua própria Força, abre os olhos da Eternidade e o Absoluto se manifesta”.
“Ele era o Único e Perfeito. Um só corpo e um só espírito, porque Deus é Tudo”.
“Quis Ele e por sua única vontade, que de sua natureza vibratória se separassem águas de águas; as de cima das de baixo; o espírito da matéria; o positivo do negativo”.
“O Espírito era puro e a Matéria o Caos. E assim se formou o equilíbrio entre forças positivas e negativas e nascia a Potência Criadora”.
“Do duplo gerante (águas e águas, ou Iwa e Aba) nasceu o terceiro elemento: a Essência Anímica (ou Axé)”.
“E então existiram os espíritos; e então existiu a matéria. Espíritos e Matéria co-eternos com o Absoluto e Altíssimo, existiram porque Ele assim o quis. E nada os destruirá porque eles são feitos da mesma natureza vibratória Divina e por isto pertencem à Potência e a Potência é indestrutível”.
“E assim nasceu o princípio e causa de todas as coisas, originários da Potência, porque antes Dela só existia Ela”.
“O Espírito positivo e a Matéria negativa formaram a Essência Anímica que é neutra, Da neutralidade nasce a Justiça e na balança da Justiça os pesos são iguais”.
“E assim foram criadas as Leis que regulam os Espíritos e as que regulam a Matéria. Estas leis são opostas para que haja o equilíbrio perfeito (a alternância, movimento, tempo)”.
“A Essência Anímica é formada pelas propriedades da matéria e do espírito, que por sua vez são separadas entre si formando dois pólos opostos de energia”.
“E assim foi, assim é e assim será”.
“A causa se manifesta no efeito e o efeito se transforma em ato. Isto é o Universo”.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Item 5 – ASSUNTOS DIVERSOS

OBÁ

CONEXÃO DE TEMPOS

(cidade-do-axé.blogspot.com)

Como já falamos anteriormente, existe o Tempo Eterno, que é o Tempo de Deus, pois só Ele é eterno; existe o Tempo Co-eterno ou tempo de Orumilá onde foram criados Espíritos Puros e Matéria Indiferenciada (Caótica); e o Tempo Cíclico que é o Tempo onde vivem juntos Espírtos e Matéria já diferenciada ou Tempo da Natureza, comandado por Yansan. Na conexão entre os Tempos Co-eterno e Cíclico atua o Orixá Obá, responsável pelo Poder de Ogun de “dar a partida”, o “arranque”, no movimento ou na vida. Ogun não poderia existir sem Obá pois ele é o arranque que depende do tempo para entrar em movimento (Que é Oxumarê). Esta é a grande importância de Obá na vida. Os acontecimentos da vida dependem de Obá e não da sorte. A Sorte é mera coadjuvante no movimento que une passado, presente e futuro. Por isso a Sorte, como vaticínio (Tirar a sorte; jogar para ver qual é a sorte futura, etc.) é real, pois é tanto espiritual quanto material. É ao mesmo tempo Efeito e Ato oriundo de uma Causa Única: A Criação.
O primeiro axioma que recomendamos para quem busca o conhecimento e a sorte é a fé inabalável e a mente equilibrada. O conceito fundamental é de que “a Fé remove montanhas”. Com certeza, não vamos fazer a sorte acontecer em nossas vidas apenas por um ato de magia porque a sorte é uma energia, uma força, um efeito que ocorre por uma determinada causa, e só se transforma em ato no momento em que o ambiente lhe seja propício. E aí reside o segredo da conquista: o Momento (Tempo) e o Ambiente (Espaço). Descobrir este Espaço/Tempo exato constitui em se ter ou não ter a atuação da sorte atuando naquele instante. Por isso, sem a conexão dos tempos nossas vidas pareceria não ter sentido. Salve pois o TEMPO; Salve Mãe Obá, o alicerce de Pai Ogun e o tempero da nossa existência.

sábado, 24 de maio de 2014

Item 10 – OS ELEBARAS NA UMBANDA (Parte 10)

QUIMBANDA (EXU/POMBAGIRA)
(AXIRÔS/ELEBARAS)
Por: Brasão de Freitas
Parte 10 – O ARQUETIPO DE EXU

ELEBARA VISTO PELO CANDOMBLÉ
Exu, figura emblemática da Noite
(exuepombagiranaumbanda.blogspot.com)

O ARQUETIPO DE EXU NO CANDOMBLÉ
Na África Exu é uma divindade. É um Imolê ou Imolê Exu. Nestas condições, Exu é considerado como o Senhor do Axé, e o mensageiro entre Orumilá e as demais divindades.
No Candomblé brasileiro, sofreu algumas alterações. Ora é considerado divindade ora é considerado entidade (Egum). Como os Cultos de Nação não cultuam os eguns senão para despacha-los, o Exu por eles considerado é o de aspecto divindade. Nos Candomblés, é comum a manifestação do Exu-Entidade em rituais próprios nos terreiros.
Sua função mítica é a de Mensageiro dos Orixás, ou seja, aquele que faz a comunicação entre os seres humanos e os Orixás, e não apenas entre Orumilá e os Orixás, como nos Cultos de Nação Africanos.
Assim, Exu pode traduzir a linguagem dos homens e a linguagem dos Orixás, fazendo com que se entendam. Ele seria uma entidade-limite entre o astral e o mundo material.
São entidades extremamente poderosas, pois, como entidade-limite são os únicos que podem efetivamente assegurar em uma dimensão o que está acontecendo na outra (Aiyê ou Orum), e abre os caminhos para que os Orixás possam dirigir-se aos locais das oferendas a eles oferecidos ou aos rituais onde são chamados a incorporação.
Mas Exu tanto pode ligar como desligar, separar e confundir. É, portanto o que possibilita a criação e a destruição.
Dentre os Orixás. , é sempre o primeiro a ser citado, e o primeiro a ser lembrado no terreiro a quem se pede agô (licença) para que todas as oferendas aos Orixás sejam aceitas.
Cada Orixás tem seus próprios Exus, que funcionam como seus servos, possibilitando o contato entre as diversas divindades. Para Oxalá, os sete: 7 Encruzilhadas, 7 Capas, 7 Porteiras, etc. Para Xangô e Yansan: Exu Ventania. Para Oxossi: Exu Marabô. Para Ibejis: Exu Tiriri. Para Ogum: Tranca Ruas. Para Omulu e Obaluaê: Exu Caveira, Exu 7 Catacumbas, etc. Para Yemanjá: Pomba Gira, Exu da Meia-Noite, Exu Trunqueira, etc. Para Oxum: Exu Cheiroso, Exu Brasa, etc. Para Nanã: Exu do Lodo. Para Ossãe: Exu da Mata, Barabô, Toquinho, etc. Para Oxumarê: Pomba-Gira.
Nos Candomblés onde não se incorporam Entidade-Eguns, Exu recebe seu Padé, e para qualquer obrigação Exu terá sua parte. Já nos Candomblés onde existe a incorporação de Entidades, Exu incorpora assumindo característica de personalidade exuberante, vaidoso, amante de riquezas, vícios, festas, tumultos, e não se preocupam com os fatores de ordem moral.

LENDAS DE EXU
Nos livros dos Orixás vimos algumas lendas sobre a atuação de Exu. Vimos a lenda onde Exu ajuda Oxum em sua maternidade, quando perturbou Oxalá quando este se dirigia a casa de Xangô, etc.
Mas tem uma lenda que conta que certa vez, dois amigos de infância que jamais haviam discutido, se esqueceram de fazer, numa segunda-feira, as devidas oferendas a Exu, e foram trabalhar no campo, cada um em sua roça. As terras eram vizinhas e separadas apenas por um canteiro estreito. Exu ficou zangado e resolveu preparar-lhes um golpe a sua maneira: colocou sobre a cabeça um boné pontudo, que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. Seguiu caminho pelo estreito canteiro e quando passou pelos dois, um de cada lado, cumprimentou-os educadamente. “Bom trabalho, meus amigos”. E eles educadamente responderam: “Bom passeio, nobre estrangeiro”. Assim que ele se afastou, o homem que trabalha no campo da direita falou: Quem pode ser este personagem de boné branco? Seu chapéu era vermelho, respondeu o outro da esquerda. “Não, ele era branco", sustentou o outro, ao que o da esquerda retrucou; “Ele era vermelho e bem escarlate”.
Está-me chamando de mentiroso? Falou o da direita, ao que o outro respondeu: está me chamando de cego?
E então começaram a discutir acaloradamente até chegarem à via de fatos.
Exu ria a vontade e sentiu-se vingado. (Lenda colhida por Pierre Verger).

DADOS RITUALISTICOS
          Filiação: Oxalá e Yemanjá
          Cores: Vermelho e Preto
          Saudação: Laroiê Exu!
          Comida (Padé): Farinha de mesa com azeite de dendê, farinha d’água com marafo, farofa de mel.
          Sacrifícios: Frango preto, galinha de angola, boi, bode, sempre de cor preta.
          Guias: Miçangas vermelhas e pretas.
          Apetrechos e Armas: Tridente, punhais, facas e como fetiche um tronco.
          Toque de Atabaques: Bravum
          Veste Ritualística: Capas em vermelho e preto e as vezes usam coroa
          Dia da semana: 2ª Feira. Entretanto, a maioria das obrigações são feitas na 6ª Feira após as 23:00 horas nas encruzilhadas. Desta forma, popularmente a 6ª Feira é o dia da vibração de Exu.
          Paó: Não tem.

ERVAS SAGRADAS
Guiné, Espada de Ogum, Mamona, Arruda, Bananeira, Vassoura-Preta.

Como diz o OGBE MEJI: “Orunmilá diz que as coisas devem ser feitas pouco a pouco: Eu digo; é pedaço por pedaço que se come a cabeça do preá; é pedaço por pedaço que se come a cabeça do peixe.”